FORMAÇÃO: Não se devem criar expectativas injustas
Os factos estão bem à vista de todos nós. O futebol português está falido nos moldes actuais. Diariamente, ainda, é notícia a falta de pagamentos de ordenados a profissionais de futebol, de passivos mortíferos em inúmeros clubes.
Vive-se com o que se não tem, com o que se não vai ter. No campo a verdade desportiva não existe, pois o confronto está viciado à partida pelas condições diferentes postas à disposição dos clubes. Aqui entra a Formação. Fica sempre bem, num discurso bem preparado, dizer: “mas nós apostamos na Formação dos nossos jovens». Que grande mentira esta. Mas Viseu tem no concelho alguns exemplos positivos, de instituições que funcionam trilhando um caminho realista. O Académico de Viseu tem estado nos últimos anos sempre presente nos Nacionais dos vários campeonatos. E, este Ac. Viseu, tem o seu lugar num 2º escalão nacional dos campeonatos. É que tudo está a mudar. Com a passagem de um campeonato dividido em vários grupos para Campeonatos Nacionais, em duas séries, Viseu deixa de ter argumentos para disputar de igual para igual lugares cimeiros. É que não chega ter recursos humanos, ter jovens com aptidão e depois andar no «desenrasca». É preciso mais, muito mais. Só pode exigir receber quem dá.
O modelo actual do Ac. Viseu está esgotado. O Académico, tem um número muito reduzido de dirigentes para o número de equipas e atletas que movimenta. Vale-lhe os pais de alguns atletas, que sentem a necessidade de “deitar a mão”, caso queiram os seus filhos a jogar à bola. Mas tem sempre o reverso da medalha. A dependência, seja do que for, tem sempre o seu preço. Os adeptos, os familiares, a imprensa regional não devem falar pela fotografia que lhes chega mas pelos remedeios em que se vive. Não se deve dar destaque a incidentes isolados de comportamento anti desportivo, fazendo destes o aspecto mais significativo de uma partida ou competição. Devem realçar o empenho, a atitude desportiva, pois os jovens não são profissionais em miniatura e «estes» adultos não os devem crucificar, como não devem criar expectativas injustas sobre a sua evolução.
O caminho é longo.
O Académico jogando fora do Fontelo tornou-se um clube fechado, com um público muito restrito. Os Repesenses são, por mérito, uma referência no futebol juvenil distrital. Percebe-se porquê. Um clube com pessoas dedicadas, com a construção de uma casa própria, com um público presente. Pode-se não gostar da forma, mas o conteúdo está lá, é positivo. O lugar do Repesenses passa pelos Nacionais acompanhando o Ac.Viseu e lutarem contra Aveiro, Porto, Coimbra. Cidades do Euro2004. Sem importância! Lusitano de Vildemoínhos, Viseu e Benfica e Ranhados são clubes já com tradição nas camadas jovens distritais.
O Viseu e Benfica começa a ter bons resultados de apostas feitas em anos transactos. Lusitano e Ranhados começam a querer recuperar um tempo que perderam, apostando em voltar a dar condições para o desenvolvimento do futebol juvenil distrital.
Os Povoenses (Póvoa de Sobrinhos), Casa do Benfica de Viseu são equipas que preenchem uma lacuna que sentiram existir. A equipa de iniciados do Povoenses tem, já esta época, alcançado bons resultados, fruto de uma organização que tem no apoio aos seus atletas uma aposta primordial e na capacidade técnica de quem dirige jovens desta idade. A Casa do Benfica só agora começou.
Vamos esperar que seja uma agradável surpresa. É que a formação em Portugal é de elite no que toca a clubes e a cidades. O sol, da formação de jovens praticantes de futebol, quando nasce não é para todos. Nem todos podem ser Seleccionados.
Mas assistir, apoiar, incentivar, aplaudir as nossas crianças, os nossos jovens nas competições desportivas é, ainda, a melhor forma de relaxarmos e de contribuir para uma geração de jovens saudáveis.
povoenses melhor eguipa do mundo