Nova legislatura, novo olhar para a Formação Desportiva
No próximo domingo, 20 de Fevereiro, Portugal vai a votos para eleger mais de duas centenas de deputados. Façamos votos que os eleitos do povo, sejam cinzentos ou multicores, tenham a coragem de criar uma legislação desportiva menos populista e mais consentânea com o País que somos.
Defendo a reforma do sistema desportivo com uma aposta forte na iniciação e formação no desporto.
Não acredito num sistema que diariamente vê jogadores em greve, sem receber salários, com clubes que à sexta-feira ainda não sabem se comparecem ao jogo de domingo.
O futuro do desporto português passa pela formação. Portugal vai ter de dar um passo atrás para poder dar muitos à frente, a médio prazo.
Não é fácil mudar mentalidades. Mas dos fracos não reza a história.
Viseu tem cidadãos interessados, pessoas que têm a vivência do desporto e muitos com a complementaridade académica que lhes transmitiu conhecimentos que continuamos a desperdiçar. A formação não tem resultados imediatos, é um caminho longo e nem sempre há paciência para esperar pelos resultados.
Necessitamos de criar um esforço comum, que nos envolva a todos: crianças, pais, treinadores, dirigentes. Os pais têm de ter a vivência no desporto que têm na escola, no acompanhamento dos filhos. Cada ano é uma fase, não se pode saltar. As crianças são iludidas com sucesso fácil. Chega-se a dar como prémio de sucesso escolar a ida ao Porto, Lisboa para treinar num clube de topo. Vaidades despropositadas e perigosas. Hoje qualquer jovem pode treinar nestes clubes que numa aposta de marketing têm datas para receber atletas que os pais «empurram» para o que pensam ser mais fácil alcançar o sucesso. Hoje já se trabalha bem em quase todo o lado.
Para se fazer um jogador de top, dezenas de jovens viram as suas vidas frustradas pela aposta «cega» no desporto.
Os treinadores têm também um papel decisivo. Em Viseu há gente tão boa como em outros lados na área do treino desportivo. Hoje todos temos acesso a informação, ao conhecimento técnico. A diferença faz-se na liderança, nos recursos físicos e não no desconhecimento ou na ignorância.
Ainda são o elo de ligação entre toda uma estrutura que começa no clube e acaba na criança, passando pela família. Gerir toda esta organização nem sempre é fácil e desgasta. Começa a ser imprescindível a criação de estruturas fortes de componente técnica e directiva que tenham um projecto sério. Ainda há treinadores, são os velhos do Restelo, que pensam saber tudo mas que são importantes demais para treinar jovens! Mas já são poucos.
Os jovens atletas ganhem ou percam divertem-se na competição sendo o resultado uma mera indicação para o treinador avaliar, internamente, a evolução dos seus atletas. É preciso tempo. Mas é gratificante.
Os dirigentes desportivos têm na formação quase sempre a única fonte de receitas e de resultados desportivos. Quando perceberem isso e sorrirem com a visão de uma criança a jogar à bola tudo pode melhorar. É simples, acreditemos.
A nova Taça de Lisboa é uma iniciativa que me parece de louvar e um bom exemplo a seguir. Criada para gerar receitas, consiste numa competição entre os clubes de Lisboa em 12 modalidades durante um breve período de tempo. Ao contrário dos jogos da amizade, esta é virada para aqueles que fazem desporto de competição todo o ano. É justo. Não precisam de alterar Bilhetes de Identidade para praticarem desporto.
Proporciona o progresso e reforço das Instituições desportivas, como defendo, e promove a competição com índices de motivação elevados por se tratarem de Derby´s que movimentam sempre muitos intervenientes e adeptos. Uma competição que permite a partilha de conhecimentos entre os vários agentes desportivos que vivem a mesma realidade.
Viseu Futsal 2001
Abro um parêntesis para uma palavra ao Viseu Futsal 2001. As excepções confirmam as regras, e pelo que conheço deste novo clube, julgo ser uma das boas excepções. Trouxe dirigentes novos, apresenta um discurso sólido, acredita no projecto que criou. Até na forma como se «defendeu» aqui marcou a diferença. Pela positiva.
Divulgar actividades, promover espectáculos, apresentar linhas orientadoras não é protagonismo. É informação. Parece-me que é isso que o Viseu Futsal 2001 tem feito. Mais o fizessem.
Por último, nunca tive intenção de retirar direitos a quem quer que seja. A Constituição da República, em 299 Artigos dá-nos direitos e impõe-nos deveres. Eu faço por usufruir os direitos e cumprir os deveres.
Vítor Santos in Jornal do Centro (18-02-2005)