Wednesday, September 14, 2005

Para se chegar à nascente é preciso andar contra a corrente

Quem esteve presente na última Assembleia-geral de Sócios e Não Sócios do Académico de Viseu assistiu a uma reedição das mais concorridas e polémicas das décadas de 70 e 80. O facto ocorrido no início da mesma, e que é do conhecimento público, veio criar um vazio enorme e que não foi devidamente corrigido.  

 Os elementos presentes na mesa, que dirigiram (?!) a Assembleia, não estavam preparados, nem tinham a capacidade de mobilização necessária na altura de «impor» um novo projecto.  

Logo, esta Assembleia deveria ter sido adiada de forma a proteger todo o processo de recriação do Académico. Descuraram a capacidade intelectual de muitos associados.  

Foi uma reunião magna muito sui generis e que, lamentavelmente, fica na memória de todos os que estiveram presentes, mesmo daqueles que abandonaram a sala a meio. Houve apenas uma discursata. 

Não defendo o processo que foi (?!) votado. Este resolve, talvez, pontualmente, o problema.  

Por diversas vezes tenho louvado quem se assume como dirigente associativo, mas tenho dificuldade em descortinar alguém com essa vocação neste cenário Dantesco 

O Clube Académico de Futebol continua a existir. Agora nascem o Académico de Viseu Futebol Clube e o Académico SAD em substituição do Grupo Desportivo de Farminhão e Ac. Viseu SAD. Não se percebeu bem a razão ou razões de fundo desta estratégia, sendo que ao ter sido aprovado o protocolo lido na Assembleia este está legitimamente validado.  

Mas… para se chegar à nascente é preciso andar contra a corrente, e é isso que um grupo de sócios se propôs fazer ao questionar, de forma legítima, todo o processo e estratégia em que se assentou esta Comissão Administrativa.   As respostas foram poucas ao contrário das hesitações que foram muitas.  

O contraditório faz crescer.  

Durante anos tem se assistido a Assembleias em que os sócios aprovam tudo que se lhe é proposto. Mais uma vitória destas e tudo está perdido de vez.  

Há sempre um optimismo exagerado em cada «nova» solução. O optimista erra tantas ou mais vezes que o pessimista, só que se diverte e anda mais feliz.  

Todos temos presente o estado a que as coisas chegaram por se votar um tanto ou quanto às escuras muitas das propostas que têm vindo a ser apresentadas. Considero mesmo que há neste tipo de reuniões magnas, em todos os clubes, manipulação de associados. Vai-se atrás do ideal, do bom orador, do maravilhoso. A realidade tem sido outra em termos de resultados.  

O protocolo com o Grupo Desportivo de Farminhão , que se fez representar nesta Assembleia de uma forma discreta, sensata e exemplar, visa haver futebol aos domingos no Fontelo. É pouco. Numa altura em que se caiu no fundo, era mais vantajoso criar um projecto ambicioso que começasse do zero. Assim não entenderam alguns sócios.  

O Grupo Desportivo de Farminhão por direito próprio poderia utilizar o Fontelo caso se mostrasse interessado em fazê-lo. A não haver futebol profissional, qualquer dos clubes da cidade e do concelho podem solicitar autorização para a realização dos seus jogos. Não convence esta de querer futebol ao domingo no Fontelo.  

Veremos a média de espectadores no Fontelo. E se os resultados, caseiros, não começarem a estar de acordo com as ambições?! Volta-se ao Campo do Viso?!    

Juridicamente não posso pronunciar-me sobre a organização criada. Já quanto à sua funcionalidade, estou bastante céptico.  

Camadas jovens e modalidades amadoras no CAF, futebol no AVFC, Académico Sad desactivada. Quotas pagam no GDF ou no AVFC. CAF continua sem receber subsídios e comporta as actividades amadoras e camadas jovens!  

Na teoria aparece aqui muita mistura, muita confusão.  

Espera-se agora que a prática demonstre o contrário, que esta foi a melhor solução para o futebol do Académico de Viseu.  

A paciência é uma coisa que se admira no condutor de trás, mas que se detesta no condutor da frente. Cabe-nos gerir esta paciência ou…. Partir para outra.  

Claro que se pode pensar num clube melhor, mas este é o que temos e se cada um tem o que merece.  

Duas notas para dois acontecimentos positivos que ocorrem esta semana: o aniversário do Académico de Viseu de Genebra (Suiça) e a 1.ª Gala do Jornal do Centro.  

Com as participações dos Ranchos de Folclore da Casa do Povo de Via Longa e Tuna Típica do Centro Cultural do Campo - Viseu, o Clube Académico de Viseu em Genebra celebra mais um aniversário nos dias 24 e 25 de Setembro, demonstrando uma dinâmica de vida que nos faz envergonhar. Parabéns aos academistas da Suiça por, ainda, nos fazerem acreditar em valores.  

O Jornal do Centro , também está de parabéns, realiza hoje a sua 1.ª Gala. Uma iniciativa louvável que vai distinguir personalidades e Instituições, também, na área do desporto. Os bons exemplos devem ser sempre reconhecidos e parabenizados. Eles estão aí.
 

Vítor Santos in Jornal do Centro em 16 de Setembro de 2005  

Posted by Vítor Santos at 15:41:00
Comments

6 Responses to “Para se chegar à nascente é preciso andar contra a corrente”

  1. Lourenço says:

    Caro Vitor Santos !
    Fiquei bastante triste com o que se passou antes da ASSEMBLEIA começar!
    Nâo vou falar de politica porque nâo gosto dos empregados que o povo escolhe para se ocuparem do nosso país.
    A democracia quando utilizada para enriquecer um povo está muito longe daí !
    Toda essa situaçâo antes do Inicio da Assembleia me parece vergonhosa para a época em que se vive! mas infelizmente as mentalidades nâo mudaram e o povo deixa andar …
    Tal como aconteceu no CAFdesde os anos 70.
    A maioria dos sócios deve pôr a mâo na CONSCIÊNCIA,ao lamentarem-se desta situaçâo a que chegou o Clube Académico de futebol.
    Lembro-me muito bem da arrogância que exestia em alguns elementos directivos que passaram pelo CAF.
    E recordo com pena dos bons diregentes que levavam para os seus mandatos vontade de fazer um grande Clube do CAF.,mas….
    TAL como na politica ,ou por medo ou com receio de serem pontados como maus pou exporêm as suas opiniôes a maioria dos socios sempre deixou andar e quando deveriam exercer os seus direitos nunca o fizeram com vontade de se baterem contra o inconformismo.
    E ai temos o resultado ,âonde estavam os senhores doutoures os senhores engenheiros os sô professores os ricos e médios comerciantes etc ……estavam nas suas tortúlias ,nos cafés e nas bancadas fazendo de treinadores e comentaristas…Enquanto alguns deles davam do seu melhor em prol do CAF uma instituiçâo Viseense que nunca despertou o interesse da grande ,grande maioria dos Viseenses…
    Tudo para lhe dizer que os Socios de HOJE,deveram fazer parte integrante da Gestâo do Clube.!
    POIS eu acredito que dessa forma os Academistas que nunca ousaram ou que foram obrigados a afastarem-se por nâo se verem derigentes ou suporte de direçôes caidas como salvadoras no clube que nâo tinham mais que se fazer ver e a prova està aí….entâo sim vai aparecer gente boa competente honesta e verdadeiros Academistas Viseenses orgulhosos do nosso Clube e da nossa terra.
    Estar a participar na reconstruçâo do nosso Académico é um direito e o dever detodos nós..
    E eu nunca tive medo de andar contra a corrente !
    UM abraço de Genebra para os leitores deste forum e em especial par a minha Familia Academista em que deixou toda a minha confiança para que desta vez nâo deixem a nossa Herança em mâos alheias.

  2. RicardoB says:

    Caro Victor,
    Com toda a franqueza, quero dizer-te que o título da tua crónica é um bom título. Mas não passa disso.
    Andar contra a corrente pode ser uma atitude bonita e até louvável quando falamos, por exemplo, de política, mas não quando estamos a falar de um clube.
    Num clube a lógica é a de se formar uma corrente e não a de, permanentemente, se fazer força no sentido contrário.
    Um clube é uma colectividade, que normalmente toma a forte de associação. Da associção fazem parte as pessoas que, livremente, decidiram fazer parte dela. A partir desse momento, é seu dever contribuir para a prossecução dos objectivos da associação e não fazer força em sentido contrário. Ou seja, a obrigação de um associado é fazer com que a "água corra para o mar".
    Eu também gosto de andar contra a corrente, até como forma de preservar a minha saúde mental. Quando nos deixamos levar pela corrente, deixamos de ter vontade própria e de pensar pela nossa cabeça…
    Contudo, estamos a falar de um clube.
    No clube, podemos discordar da opinião da maioria, mas não é correcta adoptarmos como posição de princípio a de dizer não a tudo e, utilizando a tua expressão, "lutar sempre contra a corrente", seja lá o sentido que esta tome.
    Não percebo, ainda ninguém me conseguiu explicar as razões da discordância relativamente ao caminho que a actual comissão administrativa decidiu seguir.
    Eu também não concordo com todos os contornos da solução. Mas entendo que o dever de todos os academistas é dar achegas que contribuam para melhorar a solução e não discordar por discordar.
    Penso mesmo que não é sério dizer-se que não se concorda com a solução encontrada, sem sequer apresentar uma razão para tal.
    Prescrutando o teu artigo não há um único fundamento para a posição que com tanta estardalhaço é anunciada. E, assim, ficamos a pensar que se está contra da mesma forma que se podia estar a fazer, assim como gostamos do azul, mas também podíamos gostar do amarelo.
    É verdade que a Assembleia não foi conduzida da melhor maneira. Falta de experiência e sobretudio de preparação, pois sabemos que quem estava para liderar a reunião não o pôde fazer. É minha convicção que qualquer adiamento seria negativo, até porque se tratou, como dizes e muito bem, de uma das assembleias mais participadas de sempre, embora não seja preciso regressar aos anos 80 para ver uma Assembleia tão participada.
    Deveria ter havido alguém que limitasse as intervenções a 1 ou 2 minutos (houve pessoas que falaram largas dezenas de minutos sem interrupção e algumas que interrompiam outras sem estarem inscritas) e que desse um tempo limite para se encerrar o debate.
    Mas, quanto à votação, a 1ª foi de facto atribulada, mas é preciso dizer que ela acabou por ser repetida e ninguém pode ter dúvidas sobre o sentir maioritário da Assembleia.
    Os que estão em minoria, deveriam respeitar o sentir da maioria, e dar o seu contributo para, como disse atrás, melhorar a solução, que carece de facto de muitos melhoramentos.
    Estou à vontade para defender esta solução, pois, que fique claro, em nada contribuí para ela.
    Fico, no entanto, muito angustiado que, neste momento difícil, a postura as pessoas seja apenas de "bota abaixo".
    desta forma, começo a acreditar que será muito difícil Viseu voltar a ter um clube como já teve.
    Já não há pessoas dispostas, como até há bem pouco tempo, a enterrar rios de dinheiro no Académico.
    Por isso, o novo Académico deveria ter o contributo de todos, pois só assim, com verdadeiro bairrismo, poderíamos ter um clube que rivalizasse com os das demais regiões do país.
    Mas, bairrismo parece coisa cada vez mais arredia da gente de Viseu. Bairrismo é o oposot de lutar contra a corrente. Bairrismo poderia servir para deixarmos de lado as diferenças e olharmos para aquilo que nos une.
    Afinal, pergunte-te eu Vitor, em que é que esta solução difere da outra (que me parece ser a mesma) de criar outro clube ? Foi criado outro clube, com a vantagem de, em termos de futebol sénior, se ganhar 3 anos. Qual o mal desta solução? É preciso melhorar o edifício do futebol de formação. De acordo. Na minha opinião, dever-se-ia já começar em todos os escalões de formação com o novo clube.
    Desafio-te, assim, a concentrares as tuas energias e os teus conhecimentos, que são muitos e de que bem precisamos, na criação deste novo clube com alicerces mais sólidos. Pelo que sei, quem, neste momento, encabeça o projecto está disponível para todas as colaborações que as pessoas bem intencionadas lhes queiram prestar.
    Dessa forma, com o contributo de todos é possível emendar o que há a emendar e construir um clube de Viseu forte que nasça das cinzas do Académico.
    Com manobras contra a corrente nunca chegaremos a lado nenhum e restar-nos-á apenas deixar morrer o sonho, que alguns ainda acalentam, de fazer ressurgir um Académico forte, que nos orgulhe e que enobreça a nossa região. Para que as gentes desta região possam, em qualquer lado, continuar a poder exibir o orgulho de a ela pertencerem.

  3. Cat says:

    Sem estar por dentro ou perceber alguma coisa do assunto:
    "A paciência é uma coisa que se admira no condutor de trás, mas que se detesta no condutor da frente. Cabe-nos gerir esta paciência ou…. Partir para outra."
    Gostei!

  4. Helder says:

    Até "kinfim" que temos alguém sem pápas na lingua…
    Se existissem mais dez como tu isto não andava assim tão béra como anda!
    Dá-lhe com força, hehhehehe….
    Abraço

  5. Eduardo says:

    Cara Vitor
    Mais preocupante do que isto " Os elementos presentes na mesa, que dirigiram (?!) a Assembleia, não estavam preparados, nem tinham a capacidade de mobilização necessária na altura de «impor» um novo projecto " é saber que quem comandava as reuniões nem sócio do clube era!
    Além disso a natação que tanta história tem, que tantas alegrias deu ao clube ser tratada daquela forma foi vergonhoso.
    Aproveito para pedir informações sobre os Vasquinhos já que nem na sede, nem no site há informações sobre esta época.
    Um forte abraço
    Fátima

  6. alguem says:

    è uma pena que so se lembrem das casas do acadèmico de viseu espalhadas por essa europa fora quando precisam de dinheiro…e mais nao digo ,pois ja era vos dar importancia a mais

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