Sábado, 22 de Janeiro de 2005

Criar clubes para duas ou três pessoas é protagonismo

       Portugal é um País muito sui generis. Existem presidentes e treinadores a mais e directores e atletas a menos.
     Em tempos, o Prof. Carlos Queirós falou da necessidade urgente de Portugal aumentar o número de praticantes de futebol. Pregou no deserto.
     Que temos hoje? Muitos clubes, campeonatos a mais, treinadores no desemprego e uma falta enorme de atletas.
     Os clubes estão em falência, os campeonatos não têm qualidade,
valha-nos a qualidade existente a nível de treinadores e atletas.Mas isto todo sabemos. É uma constatação. São factos.

     Nem vale falar na ausência de público nas bancadas, da falta de adeptos.
     Perante esta situação que fazer?!  Criam equipas, pois nem clubes os podemos considerar. É verdade.  

     Esta é a solução que alguns iluminados encontram para a resolução da «crise», para darem entrevistas e se apresentarem como salvadores da Pátria.
     Aparecem, sem recursos físicos nenhuns, sem um suporte financeiro garantido, mas um protagonista mor  isso não falta de certeza.
     É preciso de uma vez por todas exigir requisitos mínimos. Não devia ser possível criar um clube sem ter «casa», sem ter receitas, sem ter um projecto desportivo sério e rigoroso. Não são alternativas, não trazem nada de novo, vêm para subtrair.
    Criar clubes com base e para duas ou três pessoas é protagonismo. Não serve o desporto, não serve a região.
    Amanhã, estão na Câmara Municipal a exigir subsídios. O subsídio-dependência é tão triste, mas bem português e fácil.

     Defendo o reforço e crescimento dos clubes existentes. Viseu já tem clubes que a sirvam, agora é unir esforços e partilhar recursos.

    Dividir para reinar não serve ninguém. Consolidemos o que temos e só depois partimos para novas alternativas. Há lugar para todos mas só se corrermos na mesma direcção. Servindo e não nos servimos.
   Imagine-se uns campeonatos distritais de futsal, de andebol, de râguebi entre as equipas do Repesenses e do Lusitano de Vildemoínhos; do Ranhados com o Viseu e Benfica. Outras localidades têm estatuto para aparecerem como são exemplo o Farminhão e Rio de Loba. Não acredito que estes clubes fechem a porta a novas secções, caso estas sejam apresentadas com credibilidade e sempre com uma autonomia total.

    Estes clubes têm adeptos, têm história, têm atletas só que também têm Presidente, treinadores e estes é que são os lugares que os protagonistas ambicionam.

     Uma imagem fica este fim de semana em todos nós: a do pequeno Martunis de 7 anos, que com a camisola portuguesa vestida sobreviveu 19 dias depois da catástrofe do Tsunami.
    O  futebol tem destes contrastes, também tem destas histórias bonitas. A reflectir.
Escrito por Vítor Santos em 23:02:10 | Link permanente | Comments (1) |