Urge uma política desportiva
O futebol português continua a viver cheio de contradições. Se podemos festejar os apuramentos da selecção portuguesa para o Mundial da Alemanha 2006 e para o Europeu de sub-21, temos de lamentar o desaparecimento de vários clubes e as crises porque passam a, quase, totalidade dos outros.
Qual é a verdadeira realidade portuguesa? As selecções ou a falência dos clubes portugueses?! A falência, sem dúvida.
Clube Académico de Futebol, Sport Comércio e Salgueiros, Sporting Clube de Farense, Alverca Futebol Clube são históricos que desapareceram do futebol sénior. Outros virão atrás.
O futebol precisa de praticantes federados e de público. Estes são elementos essenciais à vivência do futebol. E são precisamente estes que não existem.
As assistências nos campos de futebol são cada vez mais diminutas e o número de atletas federados está longe, muito longe do número desejável. A importação de jogadores, a construção de planteis com dúzias de não portugueses, não é a justificação para o fraco número de praticantes. É a politica de fomentação desportiva ou falta dela que condiciona toda a realidade portuguesa.
No Porto, a exemplo, constrói-se uma Sede para a Associação de Futebol do Porto de ostentação de riqueza e os jovens jogam no velhinho, pelado, do Campo da Constituição!
Estas são as prioridades de quem dirige o desporto em Portugal. Primeiro são gabinetes, fatos e gravatas e depois as infra-estruturas desportivas.
Tem de haver decisões políticas do Governo e das Autarquias, pois são os grandes financiadores dos clubes que, quase, não têm outras fontes de rendimento.
Vítor Santos in Jornal do Centro (25/11/2005)

