Aí estão as (in)decisões, e agora?!
Houve um adiamento e a coragem de um grupo de academistas que em consonância com seccionistas, técnicos se comprometeu a levar o clube a acabar a época desportiva. Cumpriram-no. Nada mais se processou entretanto.
A época desportiva 2005-2006 está a iniciar-se em termos burocráticos (inscrições) e o clube e SAD continuam nas indecisões, nos adiamentos de resoluções.
Este fim-de-semana o Clube mostrou bastante vitalidade e despertou o interesse e atenção de todos os academistas e viseenses em geral. As 1.ªs jornadas de Reflexão e o 1.º Torneio de Futebol Jovem foram iniciativas de sucesso. Esperemos que não tenham vindo tarde demais.
As Jornadas tiveram a presença de, cerca de 50, viseenses ilustres e com responsabilidades que puderam, no espaço próprio, reflectir. As opiniões são todas interessantes e importantes, mas têm de ser responsáveis. E aqui, nas Jornadas, foram-no. As pessoas assumiram as suas posições, não houve fugas para a frente.
Mas há faltas que se fazem sentir, pois a presença de todos os ex-corpos directivos, de ex-jogadores, ex-treinadores faziam todo o sentido quando além da reflexão estava a comemoração do 91.º aniversário do clube. Também quem se candidata a cargos de responsabilidade politica devia ter opinião sobre o Académico e fazer-se presente. O Clube é da região. De todos.
No Salão Nobre da Associação de Comerciantes do Distrito de Viseu houve várias sensibilidades, sendo comum que a todos entristece o ponto a que chegou o Académico de Viseu, divergindo no futuro do mesmo. Se para alguns o valor das dívidas é inultrapassável e condiciona sempre o clube, para outros o Académico deve sempre sobreviver a esta crise mesmo que tenha de baixar mais em termos desportivos.
Mas esta seria já a altura de estar em marcha o projecto que se pretende e não ainda andar a discutir, a reflectir. O tempo escoa rapidamente.
Mais que o Académico, Viseu precisa de um projecto desportivo de qualidade, de técnicos de desporto que no «campo» coloquem um projecto de desenvolvimento harmonizado que una o desporto de lazer com o da competição. Talentos existem. Espaço desportivo também o há. Crie-se o cronograma, escolham-se as modalidades e desenvolva-se o desporto viseense.
Quanto ao Académico o regresso ao amadorismo, a aposta na formação e nos jogadores que ela faz, já há muito devia ter sido feito. A crise é para todos e a queda começa a ser em efeito dominó . Quem primeiro a combater, melhor preparado vai estar quando o rigor e a coragem política desportiva apertar.
Esta semana o Sindicato dos Jogadores Profissionais veio alertar para o estado actual das finanças dos clubes. Se na 1.ª Liga os jogadores não recebem os ordenados há meses, imagine-se o que vai pelos campeonatos fora.
A SAD do Académico de Viseu também ela continua em crise profunda. Esta época serviu, ao que se julga, para aumentar o passivo e pouco mais se pode dizer. Juridicamente o Ac. Viseu SAD tem muito para tratar e ser tratado.
Esta semana ficou a saber-se que o Ac. Viseu SAD precisa de 300 mil euros a curtíssimo prazo, para inscrever a equipa. A divida total são 500 mil euros!!! A Administração está demissionária. A Gestifute deixou a Sociedade Anónima. Mais um ano se passou e o Ac. Viseu regrediu mais uma vez.
Volta a SAD às mãos dos viseenses? Volta o Clube a ficar com a gestão do futebol sénior? Quais as mais valias que ficam da época que acaba? Valerá a pena adiar um tratamento de choque e viver com a realidade?!
Os primeiros dias de Julho, com a realização das duas Assembleias, vão ser decisivas, porque agora o tempo escoou.
O desenvolvimento sustentado do Académico vai ter de ser perspectivado a médio, longo prazo. Agora há que respeitar acordos e motivar dirigentes a comandarem um Académico diferente, mas que pode ser orgulho da Região.
O Torneio de Futebol Jovem Académico / Piaget realizado também este fim-de-semana, foi um sucesso. E tinha de ser. Quando se trabalha com profissionalismo, qualidade e dedicação na organização de eventos que mexam com as crianças e jovens, o êxito é tremendo. Para muitos foi o primeiro contacto com relva, para outros a primeira vez que dormiram fora de casa, sem ser com os pais. Estes participantes nunca mais vão esquecer o Académico, o Fontelo, Viseu. O convívio saudável foi sempre por demais evidente.
Vítor Santos in Jornal do Centro (24-06-2005)