A justiça inflexível pode ser a maior das injustiças
A cessação das actividades do Clube Académico de Futebol caiu que nem uma bomba na cabeça de centenas de crianças e jovens. A angústia sentida quer por estes, quer pelos seus familiares, nada tem a ver com desporto, mas com a Justiça e o seu timing.
O fim, há muito anunciado, veio provocar a maior das tristezas em muitas famílias dos atletas academistas.
O CAF foi o primeiro clube a nível nacional a ser declarado insolvente, fazendo dos jovens academistas, que em nada contribuíram para esse desfecho, vítimas de um sistema que não os protegeu.
A Comunicação Social fez eco das frustrações de todos quantos diariamente faziam do Fontelo a sua segunda casa, que semanalmente trocavam o aconchego do lar pelos campos de futebol. A união patente entre a direcção do AVFC, pais, jovens e treinadores é demonstrativa da velha máxima: é nas grandes tormentas que se vêem as grandes coragens.
A decisão judicial teve consequências ao nível da participação das equipas de formação e do andebol nas competições. A Justiça não pode penalizar inocentes. Se é suposto ser a depositária dos grandes valores humanos e sociais, e o motor de um desenvolvimento harmonioso e sustentado, no que respeita a estas crianças e jovens, falhou na sua missão.
Agora é tempo de gerir o presente e promover a prática desportiva continuada destes jovens e começar a delinear uma estratégia de futuro. Exige-se rigor nas gestões associativas, mas não se pode deixar que estes cidadãos que se dedicam, gratuitamente, ao serviço da comunidade, desmotivem e deixem a actividade.
Começa-se a falar em «caça às bruxas», em vez de se apurar responsabilidades na gestão de dinheiros públicos.
Que o passado não mais condicione o futuro do desporto na Região.
Muitas vezes, é mais importante ter coragem para mudar de ideias, do que para se manter fiel às mesmas.
Vítor Santos in Jornal do Centro (20-01-2006)

