Wednesday, January 24, 2007

“Um pouco de sinceridade pode ser bem perigoso, muita sinceridade é absolutamente fatal”

No início deste Século a história do futebol em Viseu fez uma viragem. Uma vez ultrapassado o apogeu, a curva da evolução, começa então o declive dos acontecimentos, o desenvolvimento em sentido inverso. As coisas avançam cada vez mais depressa à medida que se aproximam do seu limite.

O fim chegou rápido ao Clube Académico de Futebol.

Não existiu um pressentimento do sintoma do fim, de que estava a acabar a história viva do clube.

Eis que chega uma tentação demoníaca: munida de uma memória artificial, dos signos do passado (emblema e nome comercial), para enfrentarem uma ausência de futuro e os tempos de tempestade que estão a chegar. Não estarão as pessoas a enterrarem-se, em busca de uma ressurreição improvável? O pior é que não há fim de nada e tudo isto continuará a desenrolar-se de uma forma lenta, fastidiosa. Porque, no fundo, o CAF já está morto e, em vez de haver uma resolução, feliz ou trágica, um destino, temos um fim contrariado, uma recusa da morte.

Assim, o AVFC tem vivido acontecimentos quase irreais, acontecimentos sintomáticos de caos, de uma credibilidade imediata (dada por um ou outro jornalista), mas de uma indeterminação enorme. 

Estamos perante um processo paradoxal de recessão?! Parece que a cidade está farta de se alimentar com esperanças, com ilusões.

Uma coisa é certíssima: se não há futuro também não há fim.

Em várias oportunidades, tenho formulado um juízo negativo a esta situação. São reflexões, assinadas, de quem viveu por dentro o CAF e hoje não se revê, mas respeita, o AVFC.

Posted by Vítor Santos at 14:18:53
Comments

10 Responses to ““Um pouco de sinceridade pode ser bem perigoso, muita sinceridade é absolutamente fatal””

  1. carlos says:

    Boa Vitor assim sim. Foi uma vergonha essa “ressureição” do CAF.

  2. Joao Amaral says:

    Inspirado e inspirador. Este texto vai além do futebol, de um clube. Revejo muitas facetas da vida, ou melhor: da morte. A negação do fim. Quantos de nós não sentimos o mesmo nas mais variadas relações e vivências?! Gostei e força aí para a sua cidade.

  3. Não o conheço mas tenho uma profunda admiração por si porque assina o que escreve ao contrário de muito covarde que anda por aí.

    Tempos de tempestade a chegar? Porque diz isso? O que é que sabe que nós, comum dos mortais, não sabemos?

    “Credibilidade imediata (dada por um ou otro jornalista)”. Nomes, há?

    Não se revê mas respeita o AVFC. Em quem se revê então? No Viseu e Benfica? No Lusitano de Vildemoinhos? Se sim, explique-me, como é que alguém que viveu o CAF por dentro consegue de um momento para o outro se rever noutro clube? Se não, revê-se em quê afinal?

    Não leve a mal estas perguntas. Faço-o para entender o seu ponto de vista.

    Cumprimentos.

    José Ferreira (ogirdoR)
    http://a-magia-do-futebol.blogspot.com

  4. Vítor Santos says:

    Caro Senhor José Ferreira.
    Obrigado pelas suas palavras de reconhecimento de um trabalho, por vezes, dificil de escrevermos publicamente o que pensamos.
    Quanto às perguntas que me dirige,educadamente, posso responder-lhe o seguinte:
    1 - se não for muito trabalho e ler alguns artigos anteriores tenho certeza que vai entender o porquê de chegar a esta conclusão;
    2 - defendi a criação de um clube virado para o século XXI, a começar de novo fosse um clube diferente do que foi o CAF em termos organizacionais e de gestão;
    3 - Quando não é conhecido um projecto que diga o como, o quando, o porquê, onde se quer estar nos próximos 5, 10 15 anos este Académico, só podemos concluir que é um clube gerido quotidianamente. Muito na base do improviso. O CAF foi gerido assim durante muitos anos. Um novo clube exigia-se mais, na minha modesta opinião.
    4 - Quanto à forma de comunicação com o exterior ela não é feita de uma forma concertada e pensada. Um artigo aqui ou ali sobre vitórias desportivas, não são suficientes para a sobrevivência de um clube. O CAF também as tinha: na natação, no andebol, na formação do futebol. É preciso dizer mais. As receitas, as despesas, os financiamentos, quanto se pode gastar (quais as prioridades), quanto se deve investir agora, em resumo uma gestão transparente e moderna.
    5 - Revejo-me no desporto. nos atletas, nos técnicos, nos dirigentes, em si e outros que de uma forma desprendida promovem e divulgam esse mesmo desporto. Mas falta “a cereja no bolo”.
    6 - Por fim, e já vai longo, nada me move contra quem quer que seja. Muito pelo contrário. Louvo quem é dirigente desportivo, do AVFC tenho a melhor das impressões das pessoas que estão no clube. Tivesse o projecto sido pensado em termos de médio/longo prazo, e muitos desses senhores eram, também, das pessoas mais indicadas para o porem na prática. Os atletas e técnicos, familiares dos mesmos são, quase, todos pessoas que me merecem a maior consideração.

    um abraço e parabéns pelo seu blog
    Disponha sempre
    Vítor Santos

  5. FAC says:

    Na verdade esse “novo” clube de novo só parece ter a “parceria” que ainda existe com o G. D. Farminhão.
    Segue os caminhos do CAF e terá certamente fim idêntico.
    Não merece credibilidade porque “nasceu” muito torto (para ser moderado digo assim).

  6. Joaquim Costa says:

    É verdade que a sinceridade nem sempre é bem aceite, mas esteja tranquilo. É uma sinceridade que já tem uma base de muitos artigos atrás de si.
    Concordo com a falta de um projecto desportivo e empresarial de um clube de Viseu.
    Mas tirando meia dúzia de clubes portugueses, todos ainda se movem pelo subsidio, mecenas, e um ou outro empurrão.
    Mas é o que temos e eu serei sempre academista queser se designe CAF. AVFC, AC.Viseu… Viva o Académico

  7. FAC says:

    Cada um come do que quer ou gosta! e o que me diz a esta:
    Sem comprar árbitros com relógios, rebuçados e outras… ganharam 2 campeonatos!
    E gostou do Editorial da “Bola” (na página AVFC)?
    FAC

  8. Obrigado por me responder.

    Este esclarecimento adicional que deu, no meu entender, serviu para ninguém se servir do seu comentário com segundas intenções.

    Concordo consigo neste ponto: há pouca informação do que pretendem neste novo clube. E aquele editorial…

    Também eu preferia que se tivesse começado do zero. Não foi esse o entender de quem decidiu. Para quem mora longe de Viseu, como eu, precisa de se sentir ligado a Viseu e o AVFC ajuda-me nisso. Seria hipócrita se de um momento para o outro passa-se a dizer que era do Viseu e Benfica. Pelos outros clubes, não só os da ciadade, mas também os do concelho tenho uma profunda admiração (porque são de Viseu), nada mais.

  9. Rui Cabral says:

    Aquele sócio do GD Farminhão que triste disse que iam fazer ao seu clube o já tinham feito ao CAF não era bruxo mas sensato.
    CC é o nome do “jornalista”.

  10. FAC says:

    Parabéns Farminhão! Vais em primeiro e já isolado…
    Farminhão…É que usou esse nome durante mais de 30 anos e é difícil, mesmo tendo vestido outro de fato, não lhe trocar o nome!

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