“Um pouco de sinceridade pode ser bem perigoso, muita sinceridade é absolutamente fatal”
No início deste Século a história do futebol em Viseu fez uma viragem. Uma vez ultrapassado o apogeu, a curva da evolução, começa então o declive dos acontecimentos, o desenvolvimento em sentido inverso. As coisas avançam cada vez mais depressa à medida que se aproximam do seu limite.
O fim chegou rápido ao Clube Académico de Futebol.
Não existiu um pressentimento do sintoma do fim, de que estava a acabar a história viva do clube.
Eis que chega uma tentação demoníaca: munida de uma memória artificial, dos signos do passado (emblema e nome comercial), para enfrentarem uma ausência de futuro e os tempos de tempestade que estão a chegar. Não estarão as pessoas a enterrarem-se, em busca de uma ressurreição improvável? O pior é que não há fim de nada e tudo isto continuará a desenrolar-se de uma forma lenta, fastidiosa. Porque, no fundo, o CAF já está morto e, em vez de haver uma resolução, feliz ou trágica, um destino, temos um fim contrariado, uma recusa da morte.
Assim, o AVFC tem vivido acontecimentos quase irreais, acontecimentos sintomáticos de caos, de uma credibilidade imediata (dada por um ou outro jornalista), mas de uma indeterminação enorme.
Estamos perante um processo paradoxal de recessão?! Parece que a cidade está farta de se alimentar com esperanças, com ilusões.
Uma coisa é certíssima: se não há futuro também não há fim.
Em várias oportunidades, tenho formulado um juízo negativo a esta situação. São reflexões, assinadas, de quem viveu por dentro o CAF e hoje não se revê, mas respeita, o AVFC.

