Bela esperança, a minha.
Na vida temos sempre as opções de sermos arriscados, ousados ou de sermos realistas, credíveis. Ambas podem, no entanto,ser compatíveis quando a base de sustentação é forte. Podemos sempre investir mais, mesmo correndo o risco de perder, mas nunca de forma a colocar em causa a vivência de uma Instituição, de pessoas.
O Académico de Viseu deslumbrou-se em décadas anteriores com os feitos desportivos alcançados e caiu na tentação do risco, da ousadia. Esqueceu-se muitas das vezes de ser realista, de saber até onde podia ir.
Sabemos, hoje, que não só o Ac. Viseu cometeu estes erros. O mal é de todo um País. As facilidades são muitas. A irresponsabilidade, a impunidade alastrou-se em demasia. O futebol português está cheio de casos de clubes que não pagam salários, que não pagam a fornecedores, que não pagam impostos, etc.
Defendo a responsabilidade colectiva de toda uma região que tem de exigir qualidade de vida e em que o desporto e cultura são bens essenciais.
Durante o primeiro semestre deste ano o Ac. Viseu viveu na expectativa dos resultados da equipa sénior do clube. Eram estes que decidiam muito do presente e futuro do CAF.
Entretanto duas sensibilidades se foram formando. Os que defendiam uma intervenção clara e definida sobre que Clube a Região queria, e aqueles que deixaram andar para ver até onde se ia.
Atrasou-se todo um processo. Esperemos que ainda se vá a tempo.
Entre a continuidade do Académico de Viseu e a «requalificação» num novo clube, a primeira escolhaé a que mais agrada a todos os viseenses. Um grupo de associados interpretou essa vontade e criou a bela esperança de limpar o clube financeiramente e credibilizá-lo. As Beiras têm mais uma oportunidade de demonstrarem se é mesmo para valer o acompanhamento que têm feito da vida do clube nos últimos meses. É nas grandes tormentas que se vêem as grandes coragens.
Esperamos assim que tenha esta Comissão tido um bom começo, pois seria já meio caminho andado. Mas não louvemos o dia enquanto o sol não se puser.
O Académico de Viseu está hoje mais aberto, mais vivo. A cidade e a região estão agora sensibilizadas e motivadas a apoiá-lo. A presença de cerca de uma centena de associados na última Assembleia é sinónimo de vitalidade e de um clube com história.
A isto muito se deve a abertura que a anterior Comissão teve. Trazer o clube para o Rossio, tirá-lo de uma rua escondida atrás da Sé, foi das melhores opções que se teve. Ainda alguém tem dúvidas que o Académico precisa de uma Sede visível no centro da cidade?! Que precisa de ser vista diariamente por todos os cidadãos?! Quem dirige o clube não é nenhum grupo marginal que se reúne às escondidas para conspirar. É preciso devolver o clube à região e as iniciativas da última Comissão Administrativa foram o primeiro passo. A não deixar morrer.
A página, não oficial do clube, na Internet tem a particularidade de ter um Fórum em que muitos academistas, de todo o mundo, têm sugerido acções bastantes interessantes. Criar com a Escola Superior de Tecnologia de Viseu um site interactivo e moderno é a proposta de um associado. Interessante.
Criar protocolos que permitam a intervenção de alunos das Instituições de Ensino Superior da cidade e das Escolas Profissionais é sinónimo de novas ideias, de novos projectos.
As tecnologias e multimédias, a comunicação social, o marketing, as relações públicas, a enfermagem são campos que uma parceria trazia vantagens a todos.
Os elementos que saíram do Académico tiveram perspicácia e trabalharam com dignidade. Disseram não agora?! É melhor um sincero não, que um falso sim.
A minha relação acabou esta época também. Saio engrandecido e devedor. Fui recebido de braços abertos e estive, como só sei estar, com dedicação e envolvido na resolução de todos os problemas que se me apresentaram.
Retribuí como posso e sei. Mas este foi um ciclo que se fecha. Saio de consciência tranquila, não limpa, porque foi usada. Só pode ter a consciência limpa quem nunca a usou.
Já não há lugar a ingenuidades. O bom rapaz acaba sempre em último e sem nada!
A esta nova Comissão Administrativa muito se lhe vai ser exigido. Espera-lhe um monte de desafios. Que os academistas se unam, é preciso um grupo alargado na gestão quotidiana de todo o clube.
A Escola de Futebol Os Vasquinhos, as Escolas, os Infantis, os Iniciados, Os Juvenis, os Juniores e os Seniores, só no futebol estão envolvidos centenas de crianças e jovens. Estes vão-lhe ficar agradecidos, eternamente, por lhes proporcionarem a prática do futebol no clube que aprenderam a amar.
Há, ainda, esperança. É bela.
Vítor Santos in Jornal do Centro (05 de Agosto de 2005)